Esmeralda natural — Rhenan Braun Gemólogo

Gemas / Esmeralda

Esmeralda

Variedade verde do Berilo

Cristalizada em ambientes hidrotermais com rara combinação de elementos, a esmeralda é considerada a rainha das gemas verdes. Sua cor verde vivo, causada por traços de cromo e vanádio na sua composição química, é uma das mais cobiçadas da gemologia mundial.

Ficha Mineralógica

Propriedades técnicas

Composição QuímicaBe₃Al₂Si₆O₁₈ — Silicato de berílio e alumínio
Sistema CristalinoHexagonal
Dureza Mohs7,5 a 8
Densidade2,67 a 2,78 g/cm³
Índice de Refração1,577 — 1,583 (+-0,017)
CorVerde claro a intenso (Cr, V) ao verde azulado
BrilhoVítreo
ClivagemImperfeita
TransparênciaTransparente a translúcida

História e Origem

A esmeralda é apreciada há mais de 5.000 anos. As primeiras minas conhecidas ficavam no Egito Antigo, as chamadas "Minas de Cleópatra", próximas ao Mar Vermelho. A rainha egípcia era apaixonada pela gema e a usava como símbolo de poder.

Com a colonização espanhola das Américas no século XVI, a Colômbia revelou-se a maior fonte mundial, em especial as minas de Muzo, Chivor e Coscuez, que até hoje produzem as esmeraldas mais valorizadas do planeta.

O Brasil é grande produtor mundial, com depósitos importantes em Minas Gerais (Itabira, Nova Era), Bahia (Carnaíba, Socotó) e Goiás (Campos Verdes). A Zâmbia também tornou-se referência, com esmeraldas de tom levemente azulado e excelente pureza.

O Jardin da Esmeralda

O famoso jardin nada mais é do que o conjunto de inclusões internas presentes na esmeralda, fissuras, cristais minerais, inclusões gasosas, gotículas líquidas e fraturas que se formaram durante a cristalização da gema no interior da Terra. O termo, criado pelos gemólogos franceses, faz alusão poética a pequenos jardins suspensos dentro da pedra, com paisagens únicas e irrepetíveis que funcionam como uma verdadeira "impressão digital" geológica.

Essas inclusões são consequência direta do ambiente hidrotermal turbulento em que a esmeralda se forma: pressão, temperatura e fluidos ricos em berílio e cromo se combinam em condições raríssimas, o que torna praticamente impossível o crescimento de cristais livres de defeitos. Por isso, segundo o GIA (Gemological Institute of America), esmeraldas sem inclusões visíveis a olho nu são extremamente raras e, justamente por isso, alcançam valores excepcionais no mercado internacional.

"Esmeraldas tipicamente contêm inclusões visíveis a olho nu. Por causa disso, membros do comércio e alguns consumidores compreendem e aceitam a presença de inclusões em esmeraldas. Esmeraldas 'limpas ao olho' (eye-clean) são especialmente valiosas porque são muito raras." — Gemological Institute of America (GIA)

Esmeralda: uma gema Tipo III

Para padronizar a avaliação de clareza de gemas coloridas, o GIA classifica as pedras em três tipos, de acordo com a frequência típica de inclusões observada na natureza:

  • Tipo I — Gemas normalmente livres de inclusões visíveis (ex.: água-marinha, topázio azul, tanzanita).
  • Tipo II — Gemas que geralmente apresentam algumas inclusões (ex.: rubi, safira, granada).
  • Tipo III — Gemas que quase sempre contêm inclusões visíveis. É exatamente nessa categoria que se enquadra a esmeralda, ao lado da turmalina rubelita e do berilo vermelho.

Embora na esmeralda as inclusões normalmente façam parte da identidade da gema e são esperadas pelo mercado, elas sim influenciam negativamente no seu valor de mercado.

Pureza e Valor: quanto menos inclusões, mais cara

A regra é clara dentro da gemologia: quanto menos inclusões visíveis a olho nu uma esmeralda tiver, maior será o seu valor. Uma esmeralda com cor vívida, saturação intensa e poucas inclusões pode atingir preços por quilate superiores aos do diamante. Em 2017, uma esmeralda colombiana de 18 quilates (cts) foi vendida por mais de US$ 5,5 milhões. Para se ter ideia, o pingente de esmeralda de Elizabeth Taylor foi arrematado por US$ 6,5 milhões em 2011 (cerca de US$ 280.000 por quilate).

Além da quantidade, importa também o tipo, a localização e a cor das inclusões. Fissuras que atingem a superfície reduzem a durabilidade; já cristais isolados e bem posicionados podem ser tolerados sem impacto significativo no preço. A combinação ideal, uma esmeralda de cor verde vívida, saturação alta, tom não muito escuro e clareza próxima de eye-clean, é o que define o topo do mercado mundial.

Tratamentos e Cuidados

Por sua estrutura interna normalmente fissurada, é prática universalmente aceita a impregnação de esmeraldas com óleos naturais (cedro) ou resinas para realçar a clareza. O GIA classifica o grau desse tratamento em três níveis: F1 (mínimo), F2 (moderado) e F3 (significativo).

  • Evite ultrassom e vapor pois podem remover o óleo de tratamento
  • Limpe apenas com escova de dentes, sabão neutro e água
  • Guarde separadamente. Outras gemas mais duras podem riscá-la
  • Reaplicação de óleo pode ser necessária após anos de uso

Geografia Gemológica

Principais Localidades de Extração

1
Colômbia
2
Brasil
3
Zâmbia
4
Egito
5
Afeganistão

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